A Comissão Ilha Ativa (CIA) marcou presença como integrante da mesa de autoridades durante o evento de lançamento das atividades do Planejamento Espacial Marinho (PEM) no Nordeste, reforçando seu papel como aliada da comunidade na construção de um futuro marinho mais justo, inclusivo e sustentável.

O PEM é uma política pública estratégica que busca ordenar os usos do mar de forma participativa, visando a conservação ambiental, o fortalecimento das economias locais e a garantia dos direitos das populações tradicionais. No entanto, a CIA alertou para a importância de acompanhar atentamente as fragilidades do processo, garantindo que ele não se torne mais uma ferramenta imposta de cima para baixo, mas sim um instrumento construído com os pescadores e não apenas para os pescadores.
“Não podemos permitir que o PEM se transforme em mais uma barreira para os modos de vida tradicionais. Ele precisa ser uma ponte entre os saberes locais e a gestão pública. É por isso que a Comissão Ilha Ativa está aqui: para estar ao lado da comunidade, ouvindo, construindo e defendendo espaços de decisão compartilhada”,
destacou Francinalda Rocha, representante da organização durante o evento.

A CIA também chamou atenção para os conflitos pelos diversos usos do território marinho, cada vez mais pressionado por atividades como pesca industrial, exploração de petróleo e gás, turismo, energias renováveis, entre outros. Nesse cenário, a necessidade de diálogo entre setores e comunidades é urgente. “É preciso que o planejamento considere o valor dos territórios tradicionais e as práticas sustentáveis da pesca artesanal. Conflitos existem e vão continuar existindo, mas é na negociação transparente e participativa que podemos encontrar soluções viáveis para todos”, afirmou Francinalda.
Com atuação histórica no fortalecimento das comunidades costeiras, a Comissão Ilha Ativa reafirmou seu compromisso de acompanhar todas as etapas do PEM, contribuindo para que o processo seja de fato inclusivo, democrático e atento à realidade das populações que vivem do e com o mar.
A organização destacou ainda que, para que o PEM atinja seu objetivo de sustentabilidade e justiça socioambiental, será essencial garantir a escuta ativa, a valorização dos saberes tradicionais e a inclusão efetiva das comunidades pesqueiras em todos os momentos da tomada de decisão.
O evento, que integra a etapa Nordeste do PEM, contou com a presença de representantes do governo, instituições científicas e organizações sociais, e marca o início de uma jornada que pretende construir, ao longo dos próximos quatro anos, um modelo de ordenamento do espaço marinho capaz de equilibrar conservação, desenvolvimento e justiça social.